

Volume 01
Continuando com a série ‘Video Game Mangá’, falo de um dos grandes jogos que quase ninguém jogou quando foi lançado.
Desenvolvido pela tri-Ace e publicado pela Enix (em 1999 ainda não era Square Enix), esse jogo se tornou cult e, devido à escassez de cópias produzidas, logo virou uma relíquia nas coleções de quem o tinha, ao mesmo tempo em que uma mina de ouro para quem queria vendê-lo. Até mesmo uns 3, 4 anos depois do lançamento e com o PS2 vendendo a rodo, cópias de Valkyrie Profile eram vendidas em sites como o ebay por 80 dólares. Oitenta dólares num jogo de PS1, já na era do PS2.
Apesar de algumas críticas sobre ser um RPG linear que desencoraja a exploração e limita muito as escolhas que o jogador pode fazer, o sistema de batalha inovador, seus personagens marcantes, cenários, temática e história baseada na mitologia nórdica fizeram o game ser bem recebido pela crítica.
E falando em mitologia, acho que não dá pra explicar Valkyrie Profile direito sem falar um pouco que seja da mitologia no qual ele se baseia, a nórdica.
No jogo você controla a Valquíria Lenneth, que foi convocada por Odin, o maior dos deuses vikings, para reunir almas de valiosos guerreiros que tenham morrido para lutarem na Ragnarok, a batalha épica entre a raça dos Aesir e dos Vanir, já que essa é a tarefa de uma valquíria. O jogo aproveita esse cenário para te jogar em Midgard, o mundo dos humanos para que você possa ir procurando e convocando as almas de guerreiros mortos e mandar para Valhalla, o mundo dos Deuses. E é aí que todo o “plot” do jogo se desenrola, você vai convocando guerreiro atrás de guerreiro, mas antes é apresentado um pouco de sua história e vê o momento de sua morte, até chegar a hora de convocar a alma de um guerreiro que Lenneth parece conhecer e acho que falar muito mais do que isso é estragar a história pra quem ainda não jogou (ou leu o mangá). São vários os personagens que lutam ao seu lado durante o jogo e chega ser até repetitivo todo o processo de “recrutamento”, até chegar ao ponto onde a história vira e parte para a conclusão.

Lenneth e outros personagens
O mangá pega tudo isso e espreme em dois volumes de aproximadamente 160~180 páginas cada, deixando alguns personagens de lado, mas até aí boa parte deles estava no jogo só pra “encher lingüiça” mesmo. Se o seu personagem favorito não aparece no mangá, muito provavelmente ele não era um dos principais para a história.
Pensando melhor agora, o quadrinho passa bem essa sensação de que de repente, é o dramático final, com os aliados ficando para trás um a um abrindo espaço para a heroína lutar sozinha contra o vilão, revelar muito mais do que isso seria acabar com qualquer sentido para jogar ou ler, mas dá pra imaginar o que acontece.
O mangá saiu em 2000, publicado na Shonen GanGan (revista da Square Enix).
Além da história principal, em 2001 uma espécie de “mangá spin-off do game” saiu. Valkyrie Profile: The Dark Alchemist não é bem baseado em game algum e como o nome sugere, tem o mago Lezard (e seu aprendiz) como personagens principais. Existem bem poucos capítulos traduzidos e disponíveis na internet, portanto não cheguei a ler a obra inteira (que possui 4 volumes no total), além de logo no começo não me parecer interessante.
Em 2006 saiu Valkyrie Profile 2, para o PS2. Não se tratava de uma continuação da história (e sinceramente, iriam continuar de onde?), esse jogo se passava antes dos acontecimentos do original, a Valquíria aqui não era Lenneth e sim Silmeria, que está contida no mesmo corpo de Alicia, a princesa de Dipan e com isso se desenrola outra história usando a mitologia nórdica como base. Silmeria havia desobedecido Odin e foi na verdade presa no corpo de Alicia, mas despertou, assim Odin enviou Hrist, uma outra valquíria para buscar Silmeria.

Valkyrie Profile 2
Silmeria e Alicia então fogem da captura e ao mesmo tempo tentam prever uma catástrofe que pode dar início a uma guerra entre os deuses em Midgard.
Uma boa introdução é apresentada por Lenneth no mangá, como se ela estivesse lembrando e contado a história para Arngrim e Jelanda (todos personagens do primeiro jogo). A partir daí, a história começa a se desenrolar por si só mesmo, Alicia é apresentada, bem como Silmeria e seus conflitos mentais com a dona do corpo onde ela reside, que a propósito, é MUITO chata. Alicia está sempre hesitando, sendo fraca e indecisa, ela já era assim no jogo, mas no mangá parece que elevaram esse aspecto da personalidade dela pra mais de 9000, no primeiro capítulo já tive vontade de esganá-la, a ponto de torcer para a “Valquíria malvada” Hrist pegar ela de jeito.
Mas é interessante ver a interação entre Silmeria e Alicia, ainda que grande parte seja mostrada como “conversas telepáticas”, às vezes a autora desenha a Valquíria, como se ela estivesse na frente de Alicia, conversando com ela, coisa que não existe no game.
A história parece seguir a do jogo sem muitas grandes diferenças, exceto um capítulo extra no final do volume 1 (que eu acredito ter no final de cada volume também), esse que mostra Alicia quando criança, coisa que também não está presente no jogo, mas com 4 volumes e o primeiro cobrindo aproximadamente 5 ou 6 horas de jogo, acho que a história deve ficar encurtada e resumida como aconteceu no mangá do primeiro jogo.
E assim encerro esse post sobre os mangás de Valkyrie Profile. Não sei se existe um mangá de Covenant of the Plume, último jogo da série que saiu, acredito que não, mas se tivesse muito provavelmente seguiria o “padrão”, sendo fiel aos personagens e suas personalidades, mostrando muito bem o começo da história, mas encurtando e resumindo mais pro final. Bons mangás para os fãs, não tão bons para quem não conhece os jogos.
Até o próximo post!


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