
Uma das mais famosas franquias da Nintendo, Zelda é um dos grandes sucessos incontestáveis do mundo dos games, cada título novo anunciado é aguardado com muita antecipação pelos fãs e apreciadores de bons jogos. Basicamente, Zelda é quase sempre sinônimo de um jogo ótimo, divertido e memorável.
Criado pelo grande Shigeru Miyamoto em 1986, Zelda segue uma história até que simples e básica, você controla o herói, um menino loiro e de roupas verdes chamado Link e deve salvar a princesa que dá nome ao jogo, Zelda. Até aí nada demais, essa história de donzela em perigo e o herói que vai ao seu resgate deve ser uma das mais manjadas, em qualquer mídia. O que faz Zelda ser o sucesso que é, é a sua jogabilidade. É empolgante entrar numa masmorra nova controlando Link e se deparar com quebra-cabeças desafiadores, mas não impossíveis, e fazer uso dos vários ítens disponíveis ao longo da jornada para resolvê-los, além disso há todo um mundo criado, habitado por personagens carismáticos e bem reconhecíveis (quem não se lembra dos engraçados gorons e dos sérios Zoras?).
Tudo isso (exceto a jogabilidade, por motivos óbvios) deve se transportar muito bem para um mangá, não é? Talvez.
Existem vários, mas vários mangás dos jogos de Zelda, os principais pelo traço de Akira Himekawa e serão os que irei comentar aqui.
Akira e sua equipe começaram a adaptação de Zelda para os quadrinhos em 1999, com Ocarina of Time (de 1998), algo que parece até lógico, devido à ótima aceitação do jogo. Ocarina of Time foi nomeado não-sei-quantas-vezes “o jogo do século”, “o melhor jogo de todos os tempos”, “o melhor jogo de 1998″ por um número sem fim de publicações e por aí vai, mas não foi por menos, o game é sensacional mesmo e deve ter salvo o N64 em 1998, logo produzir uma versão em quadrinhos para conseguir uma grana extra, um ano depois que o jogo fora lançado deve ter soado como uma boa idéia, além de ser um agrado para os fãs e colecionadores, o que resultou em dois volumes dividindo a história em ‘Child Saga’, contando a história até o momento em que Link adquire a Master Sword e desse ponto em diante ‘Adult Saga’ até sua conclusão, além de duas histórias extras com acontecimentos que não existem no jogo.

Ocarina of Time
Esse é um mangá que tenho um carinho especial, pois foi um dos primeiros que traduzi e editei os scans para o português, ainda que tenha ficado horrível.
Ele é bem fiel ao material de origem, contando a história de forma rápida e dinâmica, talvez até resumida, sendo que o jogo tenha umas 40, 50 horas e cada capítulo dos dois volumes uma média de 20 páginas.
É interessante ver o até então ’silent protagonist’ Link falando e interagindo com outros personagens. A autora conseguiu deixar isso natural e fluindo, dando a Link uma personalidade que, acredito eu, todos acham que ele tem, embora nos jogos tudo o que se ouça sair da boca dele é ‘Hiya’ ‘Waah’ e derivados e não só dele, como de seus inimigos também. O chefe da primeira ‘dungeon’ a aranha Gohma ameaça Link e Mido e não pára de exigir a “pedra”. Esses diálogos ajudam a história a ser contada de forma mais rápida e tornam os acontecimentos mais naturais, já que a parte de exploração é deixada completamente de lado. Gohma aparece, Link e Mido vão derrotá-lo e é isso aí, nada de ficar vagando pelo Grande Deku Tree atrás de baús e rupees.
Até agora falei muito da história e não contei nada dela em si, mas realmente é preciso?
Enfim, Link vive numa vila junto a várias outras crianças, os chamados Kokiris, cada um deles tem uma fada que serve como guia, exceto nosso herói. Os kokiris têm como espécie de guardião uma enorme árvore falante, chamada de Grande Deku Tree.
Após ser atacado pela aranha parasita Gohma, o Grande Deku Tree acaba morrendo, mas antes conta toda a história da terra de Hyrule e de Link. A verdade é que Link não é um kokiri, por isso nunca teve uma fada, somente agora quando o próprio Deku Tree enviou a fada Navi ao seu auxílio, e que um grande mal estava tentando se apoderar do mundo, Ganondorf, o rei da tribo Gerudo quer se apoderar da triforce para realizar seu plano. Para evitar isso, Link deve despertar vários sacerdotes e viajar no tempo até ser velho o suficente para poder manusear a ‘Master Sword’ e derrotar Ganondorf, tudo com muitas canções envolvidas, músicas que fazem o dia virar noite, teleportar Link para diversos locais entre outras, daí o subtítulo ‘Ocarina of Time’, para os desavisados, ocarina é um instrumento de sopro, funciona basicamente como uma flauta.

Phantom Hourglass
Apesar de haver algumas diferenças entre o game e o mangá, o básico está todo lá, quando chega no castelo de Hyrule, até mesmo a parte onde Link deve se esgueirar pelos jardins do castelo, escapando da visão dos guardas tem uma menção nos quadrinhos, mas a luta contra o dragão que aterrorizava os gorons na Montanha da Morte vai muito além do que o jogo jamais nos contou, o que, me lembro bem, causou a ira de um pessoal que lia os scans que traduzi (não vou contar, leiam!).
O mangá de Ocarina of Time é muito bem desenhado e conta a história do jogo como quem jogou gostaria de ver (a maior parte do tempo, pelo menos) em formato de quadrinhos, algo que os fãs irão gostar de ver.
No Japão, os dois volumes foram publicados pela Shogakukan e nos EUA pela Viz Media, interessados devem conseguir não muito caro em sites de livrarias de lá ou até mesmo no ebay. Eu já tive um dos volumes da Viz nas mãos e é muito bem produzido, quem resolver colecionar não vai se arrepender. Para quem se contentar com os scans, o link está lá embaixo.
Depois do sucesso de Ocarina of Time, o próximo Zelda foi lançado em 2000. Nele, um “Skull Kid” roubou a “Majora’s Mask”, um poderoso artefato e com ela faz a lua lentamente se aproximar de Termina, a terra do jogo, e se chocar com ela em três dias. Link deve então encontrar um meio de impedir que isso aconteça, fazendo uso de viagens no tempo (ainda com o uso da ocarina) e várias máscaras que lhe dão poderes diferentes.
Apesar do jogo não ser uma continuação direta, logo no começo do mangá Link se lembra de como derrotou Ganondorf (em Ocarina of Time), dentre outras várias diferenças entre jogo e quadrinhos, como a própria origem da máscada de Majora.
Não cheguei a jogar Majora’s Mask até o fim, portanto não arrisco comparações, mas acredito seguir a mesma linha de Ocarina of Time na relação game/mangá assim como praticamente todos os títulos seguintes de que colocaram na mão de Himekawa, passando pelos dois ‘Oracle’ (do Game Boy), Minish Cap, Phantom Hourglass e até mesmo Four Swords.
Outros autores também já fizeram sua representação de Zelda em quadrinhos, como Link’s Awakening por Ataru Cagiva (nunca ouvi falar) e A Link to the Past por Shotaro Ishinomori (autor de Cybor-009 e dono de um cabelo com MUITO estilo) que no começo eram só quadrinhos que faziam parte da revista Nintendo Power, para depois ser publicado em forma de graphic novel. Aqui a história também era contada de uma forma alternativa ao jogo.
Hoje parece improvável que alguém não tenha sequer ouvido falar de Zelda, sendo assim encaro os quadrinhos, principalmente aqueles pela Akira Himekawa, algo para os fãs, que já terminaram os jogos e só querem ver a história mais uma vez, só que contada de outra maneira.
Para os interessados, a aparente infinita fonte de scans online, OneManga conta com vários dos mangás de Zelda disponíveis para leitura, todos é claro em inglês e o melhor, completos. Alguns grupos brasileiros traduziram também boa parte dos scans na net, apesar de aparentemente muitos terem largado a tradução no meio do caminho.
Link’s Awakening (Inglês)
Majora’s Mask (Inglês)
Minish Cap (Inglês)
Ocarina of Time (Inglês)
Oracle of Seasons (Inglês)
Oracle of Ages (Inglês)
Phantom Hourglass (Inglês)
Lista de Scans de Zelda na Anime Blade (Português)




Quando você falou alí no começo que Zelda tem um esquema manjado de herói salvando princesa eu concordei, mas me lembrei que é um esquema manjado que tem umas certas diferenças. Spirit Tracks é um exemplo: apesar da Zelda estar em perigo, ela ajuda link na aventura inteira (jogue para entender) e de quebra revela seu lado egoísta no começo do jogo. =D
Muito bom o seu post. escreveu bastante sobre um assunto que sempre me chama a atenção que é Zelda.
Li o mangá de Oracle of Seasons e gostei bastante. Do jeito que você falou desse mangá do Ocarina of Time, provável que eu leia também. =D
Bem colocado, mas não joguei Spirit Tracks ainda, só sabia que a Zelda ajudava o Link pelo que li em matérias sobre o jogo, mas mesmo assim acabei esquecendo de mencionar no post.
Leia Ocarina of Time sim, pelo menos, é curtinho e bem legal.